HTV é um bom negócio?


HTV é um bom negócio?

O HTV Box chegou já há alguns anos, porém se fez de grande presença à partir do ano passado. A versão mais recente, HTV Box 5, com propagandas quase que exclusivamente nas redes sociais, promete mais de 100 canais de TV por assinatura, vários em alta definição, possibilidade de assistir às gravações de até 7 dias de diversos canais, além de acesso à conteúdo VOD (Video On Demand), que inclui diversos filmes e séries, muitos dos quais ainda nem estão disponíveis nos cinemas, isso tudo gratuitamente, com custo somente do equipamento, que é em torno de R$ 800,00. Com tantas vantagens, vem a reflexão: qual seria o grande impeditivo para um equipamento destes emplacar no concorrido mercado brasileiro?


A resposta é simples: a ilegalidade. O aparelho em si nada mais é que um computador pequeno, com hardware parecido com o de um celular, que carrega em si o sistema operacional Android, que possui código aberto, portanto livre para utilização. Tecnicamente, ao comprar um HTV, estará adquirindo um equipamento sem uma prerrogativa de ser falsificado ou ilegal. O problema está no conteúdo: através dos aplicativos “nativos” do HTV (BrasilTV, Brasil Playback, Cine, etc.), ocorre a reprodução sem autorização de conteúdos protegidos por direitos autorais ou propriamente de reprodução. Através da tecnologia de IPTV, o HTV conecta-se em servidores próprios, naturalmente clandestinos e dificilmente rastreáveis, o que os tornam extremamente instáveis quando há muitos acessos, além de frequentemente passarem por períodos em que simplesmente não funcionam. É a versão mais moderna do “Skygato”.


Como depende exclusivamente da internet para funcionar e não há um suporte técnico verdadeiro que atenda seus clientes, o HTV também tornou-se uma tormenta para os provedores de internet. Quando há instabilidade, a maioria aponta para problemas no provedor, visto que não há mais ninguém para culpar ou solicitar ajuda. Assim, ocorre um impasse ainda maior: como pode o provedor de internet garantir o funcionamento de um equipamento sem homologação da Anatel (portanto sem autorização de funcionamento no nosso país), e sabendo que se trata de uma versão moderna de pirataria? Obviamente não há intenção de limitar conteúdo, porém fazer seu cliente entender todas as nuances que fazem o aparelho funcionar pode gerar infindáveis embates e até depreciação do provedor frente à estes clientes.


Muitos discutem sobre a supervalorização das assinaturas de TV à cabo e se justificam com este argumento. De fato, estamos num momento em que as grandes operadoras do ramo deveriam se redescobrir com a tecnologia do IPTV, porém não justifica a ilegalidade. Provedores de conteúdo como Netflix, Crackle, Amazon Prime Video, Globo Play, entre outros, são grandes exemplos do que virá no futuro, com valores extremamente acessíveis e conteúdos cada vez mais personalizáveis, de acordo com a vontade de cada assinante.


Além disso, o adepto do “jeitinho brasileiro” mal sabe que pode ser vítima de diversos golpes tecnológicos, pois coloca um equipamento não homologado, sem uma certificação ou análise técnica, dentro da rede de sua casa. Se você possui um HTV em sua casa, como saber se este não está monitorando seus acessos, conseguindo visualizar seus dados particulares? Como saber se não está utilizando sua luz e internet, das quais você paga mensalmente, para minerar bitcoins para terceiros? E mais, o barato pode sair caro: você gasta R$ 800,00 em um equipamento que funciona perfeitamente por 6 meses, e após começam as instabilidades. Para resolver, o que fazer? Comprar um mais atualizado! Várias boxes alteraram inclusive o nome, para não ficar tão óbvio o golpe. Os próprios “criadores” do HTV já anunciaram a entrada do Tigre, novo equipamento de IPTV, que carrega as mesmas promessas, com uma cara diferente. Se o argumento é que uma assinatura de TV está cara, melhor repensar.


A tecnologia mudou o mundo, os formatos das comunicações e a forma comercial em que elas se inserem, e o HTV é uma demonstração disto. O equipamento em si é ilegal, pois, como citado anteriormente, não possui homologação da Anatel para funcionamento, como também facilita o uso sem autorização de conteúdo protegido, tanto por direitos autorais, quanto por direitos de reprodução. Isto implica em que, cada local em que funciona um HTV seja também um reduto de receptação ilegal de conteúdo protegido, transformando o sujeito comum, “que só queria assistir sua TV sem gastar tanto”, em um criminoso. Muitos não se importam, pois acham que estão protegidos dentro de suas casas. Será mesmo? Com a entrada do Marco Civil da Internet, naturalmente ocorrerá uma busca pela diminuição da pirataria, visto que haverão os meios para tal.


Finalizo com as seguintes indagações: se você não possui uma box ilegal, correria o risco? E se você possui, vale a pena ser criminoso?



#yukaline #HTV #internet

Posts Em Destaque
Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Nenhum tag.
Siga